existe uma grande diferença entre o que queremos e o que é melhor para nós. e cada vez me apercebo mais disso. tu foste o actor principal na peça cujo enredo envolvia a demonstração desse mesmo facto. e parabéns, foste considerado a melhor personagem em palco, representaste o teu papel seguindo à risca o teu guião e recebeste aplausos do público. orgulhoso? apesar de o destino continuar a entrelaçar nossos caminhos, eu própria agora me desviei dessa rota. avancei por outro caminho que não te incluí-se. sigo agora uma rota incerta, portanto, não me questiones sobre a direcção da mesma, porque o objectivo é mesmo afastar-me daquela por onde tu andas. apesar de estarmos debaixo do mesmo céu, nada assistirá ao nosso passado em retorno, porque esse morreu, desfeito nas tuas mãos enquanto me perdias por entre os dedos, o vento não te levará mais as minhas palavras soltas. e o teu silêncio às mesmas já não me mata mais, mas o peito continua a arder e as veias pulsam o sangue esquentado até ao coração. por agora, esse insano órgão ainda ferido, chora, e vai gritando incessantemente, temendo uma nova peça, onde o actor possa desempenhar o mesmo papel. o medo agora se tornara seu vizinho, e faz-lo debilitar sentimentos e recear qualquer tipo de envolvimento. mas ele continuará no seu caminho resguardado de todos os teus dizeres, curará feridas e calará os medos. e um dia, alguém aparecerá para alimentar novas esperanças, sim a esperança, que irá sempre comigo seja la qual for o caminho!